Campos Interpostos

Até 15 de novembro de 2020.

Reunindo cerca de 70 obras, a mostra revela um olhar sobre as coleções do MAM Rio e uma investigação sobre a idéia de fachada na produção artística. São pinturas, desenhos, gravuras, fotografias e vídeos, realizadas desde os anos 1940 até os dias de hoje, por artistas brasileiros e internacionais como Alfredo Volpi, Katia Maciel, Emeric Marcier e Rochelle Costi, que tratam da potência espacial fronteiriça das fachadas. Não se trata aqui do recorte de uma questão formal específica, mas da reunião de obras de estilos e períodos diferentes com base em um único tema que atravessa toda a história da arte do século 20.

Mesmo em meio à crise, procuramos nos reinventar. Um grupo de trabalho multidisciplinar, envolvendo a produção, educação, design e museologia, foi montado para desenvolver os protocolos de segurança sanitária, incorporando recomendações do Conselho Internacional de Museus – ICOM e também outras medidas desenvolvidas em redes no Rio, tanto para assegurar a volta dos públicos, quanto dos funcionários. Além da implantação de uma rigorosa rotina de sanitização pela equipe de limpeza, disponibilização de álcool em gel ao público e da possibilidade de fazer a reserva online, o MAM Rio realizou uma limpeza completa dos dutos de ar condicionados e troca de filtros.

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Texto curatorial

O MAM Rio abriga em suas coleções cerca de duas centenas de obras que representam ou evocam fachadas. Parte dessa produção está sendo agora apresentada em Campos interpostos – título extraído de obra neoconcreta de Willys de Castro mostrada. Expõe, portanto, não somente trabalhos de artistas comprometidos com o figurativismo marcado pelo modernismo de 1922, como também obras de outros criadores de filiação construtivista ou abstracionista. A tênue articulação espaço-temática entre fachada e plano pictórico na modernidade e na produção contemporânea orientou a escolha das obras desta exposição.

O elemento arquitetônico da fachada nunca constituiu um gênero autônomo da pintura posto que jamais foi pensado como um elemento formal estruturante do quadro, mas como uma modalidade temática da pintura de paisagem urbana. Tecnicamente refere-se às paredes externas de casas e edifícios. No entanto, a partir do século XIV, durante a Renascença, projetos de construção efetivos ou ficcionais passaram a exigir, tanto de arquitetos quanto de pintores, representações perspectivadas de seus projetos. Ao final do século XIX, o espaço ilusionista implantado na Renascença, incapaz de atender às expectativas renovadoras da modernidade, foi substituído pela objetividade do plano pictórico e dos demais suportes, reorientando a pintura para investigação das possibilidades poéticas da arte abstrata. Se tal mudança radical não mais favorecia à figuração, abriu caminho para novas modulações do plano pictórico.

Concebida de modo a permitir ao visitante observar as conexões específicas estabelecidas entre as obras, com base na interposição de 69 trabalhos realizados por 52 artistas brasileiros e estrangeiros dos últimos 70 anos, esta mostra favorece a mistura e a interposição de vertentes variadas, modernas e contemporâneas (figurativas, abstratas, construtivistas ou conceituais) e a coexistência, nem sempre pacífica, de meios artesanais como pintura, desenho e gravura, com mídias tecnológicas distintas (fotografia e vídeo).

Fernando Cocchiarale
Fernanda Lopes
curadores

Artistas na exposição

Abelardo Zaluar
Adonai Rocha
Alejandro Cartagena
Alexey Titarenko
Alfredo Volpi
Anderson Wrangle
Antonio Bandeira
Antônio Maia
Aristides Alves
Arthur Costa
Athos Bulcão
Bernd e Hilla Becher
Bonnie Smith Newman
Brad Temkin
Bruno Miguel
Carlos Bastos
Carlos Fadon Vicente
Carlos Martins

Carlos Scliar
Cristiano Mascaro
Djanira
Emeric Marcier
Flávio Shiró
Franklin Cassaro
Franz Manata
Frederico Câmara
Geraldo de Barros
Hildebrando de Castro
Iatã Cannabrava
Iberê Camargo
Ione Saldanha
Ivan Serpa
Jair Lanes
José Bechara
Katia Maciel
Lina Kim

Luiz Braga
Luiz Gregório
Maria do Carmo Secco
Maria Leontina
Nelson Leirner
Nuno Ramos
Oswaldo Goeldi
Paulo Climachauska
Raquel Bigio
Raul Mourão
Roberto Coura
Rochelle Costi
Romulo Fialdini
Rosary Esteves
Rossini Perez
Salomon Cytrynowicz
Weixlgartner-Neutra
Willys de Castro

Lei de Incentivo à Cultura
Patrocinador: Grupo PetraGold
Mantenedores: Itaú, Ternium e Petrobras
Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Governo Federal



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