28 de março de 2019

Criado em 1948, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro ocupou inicialmente as dependências do Banco Boavista, instituição bancária na Candelária. Em 1952, foi transferido para os pilotis do atual Palácio Gustavo Capanema, então Ministério da Educação e Cultura. Ao inaugurar esta segunda sede provisória, foram expostas obras premiadas na 1a. Bienal de São Paulo (que ocorrera em 1951), juntamente com obras do acervo, realizadas por diversos artistas brasileiros.

Em 1954, iniciou-se a construção da sede definitiva, em terreno doado pelo Governo do Distrito Federal: 40 mil metros quadrados destinados ao prédio e aos jardins, à beira-mar. Certamente, umas das paisagens mais espetaculares do mundo, situada ao fundo da Enseada da Glória.

O projeto ficou a cargo de Affonso Eduardo Reidy, e os jardins foram confiados a Roberto Burle Marx. O trabalho realizado por eles é em boa parte responsável pela fama internacional do Museu. Em 1958, concluída a construção do primeiro bloco arquitetônico, o Bloco Escola, com 10 mil metros quadrados, o MAM Rio transferiu-se para a sua sede definitiva, sem que a ala principal – 14 mil metros quadrados para os salões de exposição e a administração – estivesse concluída, o que só ocorreria na década seguinte. E somente, em 2006, teria seu projeto terminado com o a construção do Teatro.

O MAM Rio tem sido um centro de difusão cultural por onde passaram as principais tendências da arte moderna e contemporânea no país, e teve um papel decisivo na formação de mais de uma geração de artistas brasileiros. Desde sua constituição, foram realizadas mais de mil exposições de artistas nacionais e estangeiros, sendo algumas delas memoráveis e de importância definitiva no panorama artístico brasileiro e latino-americano. A partir de meados dos anos 50, o MAM Rio desempenhou um papel crucial na formação de sucessivas gerações de artistas brasileiros. Foi nele que se empreendeu o combate em favor do neoconcretismo, uma ruptura contra a ortodoxia postulada pelo concretismo. O impacto do movimento foi enorme e até hoje se faz sentir na arte brasileira. Em 1965, em um esforço de resistência contra o reacionarismo da ditadura brasileira, o MAM Rio inaugurou Opinião 65, seguida de Opinião 66 e de Nova Objetividade Brasileira, em 1967, mostras coletivas que dariam partida para uma tendência próxima a Pop Art e prepararia o caminho para a geração de artistas conceituais que iriam se projetar durante uma década e meia.

O MAM Rio não ficou famoso apenas por suas exposições. O Bloco Escola e os seus cursos contaram com a presença de grandes artistas brasileiros e estrangeiros, como Ivan Serpa e John Friedlander, e colocaram o Museu na vanguarda do ensino da arte no país. Grande parte dos artistas que atuaram na segunda metade do século XX passaram pelas salas do Bloco Escola, quer como professores, quer como alunos. Durante os duros anos da década de 70, milhares de pessoas se reuniam nos seus jardins durante os Domingos da Criação, em que público e artistas se juntavam para realizar trabalhos coletivos.

Em 1978, um incêndio afetou instituição, tendo sido perdida grande parte da coleção e o prédio sofrido graves danos. Graças aos esforços de sua equipe e dos seus mantenedores, o prédio foi restaurado, bem como o que sobrou da coleção. A Biblioteca, que havia sido perdida em sua totalidade, foi novamente formada.

Atualmente, o MAM Rio possui cerca de 6.600 obras, representando artistas brasileiros e estrangeiros. Talvez a obra mais notável seja Mademoiselle Pogany, de Constantin Brancusi: além de seus méritos artísticos inquestionáveis, ela ocupa também um lugar especial no acervo do MAM Rio, já que foi uma das peças da antiga coleção que não foram perdidas no incêndio. Agora restaurada ao seu antigo esplendor, ela é um dos motivos de orgulho para a equipe e os visitantes do MAM Rio. O público também pode ver, nas exposições, trabalhos de Giacometti, Vasarely, Max Bill e outras obras, muitas delas doadas pelos próprios artistas, outras por mantenedores que compreenderam a enorme perda sofrida pelo MAM Rio.

As coleções Gilberto Chateaubriand e Joaquim Paiva estão incorporadas ao acervo, em regime de comodato, contando com cerca de 6.630 e 1.840 obras, respectivamente. Gilberto Chateaubriand é um nome há muito vinculado ao MAM Rio e sua coleção conta com obras dos principais períodos e artistas da arte brasileira moderna e contemporânea, já mostrada no Museu diversas vezes. É famosa por ser uma das coleções mais representativas da arte recente brasileira. Por sua vez, Joaquim Paiva é uma figura que desde cedo esteve ligado a fotografia e o comodato de sua coleção contempla o MAM Rio com uma imensa diversidade de renomados artistas da fotografia contemporânea brasileira e internacional.

A partir de 1990, graças em grande parte aos incentivos, as atividades têm sido constantes e produziram-se inúmeras exposições de grande significado no panorama das artes plásticas brasileiras. Grande parte destas mostras foram coletivas, focalizando um período ou aspecto da arte no Brasil.

A Cinemateca é uma das mais conhecidas e famosas de toda a América Latina. Criada em 1955, firmou-se como centro de referência da memória do cinema brasileiro e mundial, para o público e pesquisadores, do Brasil e do exterior. Seu acervo fílmico conta com 23.000 rolos, a maior parte de produções nacionais, inclusive cinejornais, e algumas raridades. Além da coleção de filmes, há outras fontes de pesquisa relacionadas ao cinema – livros, catálogos, periódicos, recortes de jornais, cartazes, fotografias e roteiros originais. As sessões realizadas em seu auditório mantêm uma linha de programação voltada para a difusão de obras e ciclos da história do cinema, e foram fundamentais para a formação e renovação de espectadores, assim como de críticos e realizadores.

O MAM Rio também abriga a Pesquisa e Documentação – que é considerada um dos mais importantes arquivos entre os que se dedicam, no país, a reunir informações sobre arte brasileira e internacional para os estudiosos da área. Dispõe de fontes de pesquisa relacionadas à história e teoria da arte, mais especificamente às artes visuais, cinema e fotografia. Em unidades, a Biblioteca de artes visuais possui 31.500 publicações (livros, catálogos de exposições, monografias e obras de referência) e 618 títulos de periódicos. Entre os itens do acervo documental e bibliográfico da Cinemateca podem ser encontradas algumas raridades como as revistas O Fan, Palcos e Telas e Cinearte e fontes inéditas e originais como as coleções particulares de Alex Viany, David Neves e Ruy Guerra. Alguns exemplos podem ser destacados: quase 300 edições das primeiras décadas do século com ilustrações de Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e J. Carlos, entre outros, o roteiro original de Terra em Transe, com observações do próprio diretor do filme, Glauber Rocha, e folhas de continuidade de Deus e o Diabo na Terra do Sol, do mesmo diretor, anotadas por Walter Lima Jr. Pesquisadores são recebidos diariamente, entre estudantes, curadores e pesquisadores independentes, para ter acesso a documentação salvaguardada no Museu e desenvolver pesquisas que auxiliem na produção de conhecimento e divulgação da arte no Brasil.


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