Cobogós do MAM Rio

Cobogós do Bloco Escola. Foto: Fábio Souza, MAM Rio.

Um elemento construtivo importante da arquitetura modernista está presente na fachada do Bloco Escola do MAM Rio: o cobogó. Estrutura modular que se assemelha a um tijolo vazado, ele é repetido formando padrões gráficos nas construções. Além disso, possui como funcionalidades promover ventilação e iluminação dos ambientes, sem tirar privacidade do interior do imóvel.

“Os cobogós são elementos simples e que reforçam uma das principais características do partido construtivo do MAM Rio, que é a relação entre dentro e fora. Essa é uma discussão importante para a arquitetura moderna, mas também para a própria definição de museu. No caso do MAM, vidros e cobogós deixam de ser marcas de limite do espaço institucional, para serem pontos de prolongamento, expansão, fazendo com que o museu possa ser lido tanto como seu espaço expositivo mais convencional (lado de dentro), quanto expandido para os jardins do aterro (lado de fora)”, explica Fernanda Lopes, curadora-adjunta do MAM Rio.

O cobogó foi patenteado pelo português Amadeu Oliveira Coimbra, o alemão Ernest August Boeckmann e o brasileiro Antônio de Góis, em Recife, em 1929. O trio, que era dono de uma fábrica de tijolos, batizou a criação com as primeiras sílabas de seus sobrenomes. A inspiração foram elementos característicos da arquitetura árabe, as treliças e os muxarabis, tramas vazadas em madeira, muito usadas em sacadas e janelas de casa coloniais. Inicialmente feitos em cimento, com sua popularização, na década de 1950, os cobogós passaram a ser produzidos em diferentes materiais.

Uma das primeiras obras a receber cobogós em destaque em sua fachada foi o edifício Caixa d’água de Olinda (1934), projetado por Luiz Nunes. Outras construções famosas pelo uso do elemento são: a Biblioteca Nacional de Brasília, de Oscar Niemeyer; a Residência no Parque Eduardo Guinle, por Lúcio Costa; o Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, de Affonso Eduardo Reidy, arquiteto que projetou o MAM Rio; e a Casa Moreira Salles, de Olavo Redig de Campos.

No ato da inauguração do Museu, em janeiro de 1958, a parede de 34,20 metros de extensão de cobogós não estava construída, mas foi realizada ainda no primeiro semestre daquele ano. E atualmente, a exposição “Irmãos Campana – 35 Revoluções”, montada no segundo andar do museu, apresenta uma parede com cerca de 1.600 cobogós que têm como elemento uma mão aberta. Feita por diferentes tipos de argila, relembra o desastre ambiental na cidade de Mariana, Minas Gerais.

Texto: Dominique Valansi, MAM Rio
Fotos: Fábio Souza, MAM Rio



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