Ana Beatriz Almeida

Ana Beatriz Almeida é artista visual e historiadora da arte, e o seu trabalho tem foco nas manifestações africanas e da diáspora africana. Nascida em Niterói (RJ), em 1987, é Mestre em História e Estética da Arte pelo Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP), é também curadora e cofundadora da plataforma de arte 01.01. Curadora convidada no Glasgow International 2020/2021, fez residência curatorial em Gana, Togo, Benin e Nigéria, por meio da qual conseguiu se reconectar à parte de sua família que retornou ao Benin durante a escravidão. Trabalhou como pesquisadora na UNESCO.

Como artista, desenvolveu ritos em homenagem àqueles que não conseguiram sobreviver à jornada atlântica do comércio de escravos. Usou a técnica N’Gomku, que desenvolveu em cinco anos de pesquisa pela UNESCO sobre as tradições das comunidades baianas de Babá Egum e Irmandade da Boa Morte.

Apresentou performances no Centro Cultural São Paulo, Itaú Cultural, SESC Ipiranga e Casa de Cultura da Brasilândia, em São Paulo; e na Bienal do Recôncavo, Bahia. Lecionou curso de verão de sua técnica de performance na Goldsmiths University, em Londres, Inglaterra; participou da Residência Can Serrat, Barcelona, Espanha. Sua mais recente performance, Sobre o Sacrifício Ritual, é baseada na ritualística do sacrífício e o corpo feminino negro no Brasil. Foi uma dançarina butô durante 13 anos e dedicou os últimos 11 anos a pesquisar rituais fúnebres na região do Recôncavo Baiano e suas relações com as culturas da África ocidental. Atualmente vive em São Paulo.

Sobre a obra Onira, 2015

Onira é uma foto-performance da série de foto-rituais Kalunga, que busca materializar existências afrodescendentes que foram assassinadas pelo Estado ditatorial dos anos 1960/70. O título da obra, Onira, faz um trocadilho com o apelido Nira, forma carinhosa pela qual os familiares chamavam Helenira Resende. Única estudante negra da Faculdade de Letras, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP), envolvida na resistência de guerrilha e morta pelo governo militar no Araguaia nos anos 1970, quando estava à frente de um grupo de mulheres camponesas. Onira é uma divindade por si só em território Iorubá; no Brasil, ela é uma qualidade de Iansã, próxima de Oxum; simbolizada por uma borboleta, relaciona-se com a alma dos heróis mortos em campo de batalha.



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