23 de maio de 2018

CLUBE DE COLECIONADORES 6 – nova edição

Anna Bella Geiger, Daniel Senise, Denilson Baniwa, Marcelo Cidade e Maxwell Alexandre são os artistas participantes do #Clube6. 

 

Criado em 2004, o Clube de Colecionadores do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro nasceu com o objetivo de democratização e popularização da arte a partir do estímulo à formação de novas coleções. A cada edição, a Curadoria de Artes Visuais convida cinco artistas brasileiros, de diferentes gerações e regiões do país, a desenvolverem trabalhos em formato de múltiplo pensados exclusivamente para essa ocasião. O resultado é um conjunto que revela potentes possibilidades poéticas na nossa produção contemporânea.

Em sua sexta edição, o Clube de Colecionadores apresenta ao público obras de Anna Bella Geiger, Daniel Senise, Denilson Baniwa, Marcelo Cidade e Maxwell Alexandre. Com uma trajetória intimamente ligada à história do museu, Anna Bella Geiger propõe um trabalho que reúne elementos basilares de sua produção de mais de seis décadas: a referência à burocracia, a imagem de mapas e a apropriação da prática da gravura. O tempo e a memória também são temas caros para Daniel Senise, que aqui dá nova dobra à sua pesquisa ao usar como base de seu trabalho uma fotografia realizada por seu pai há 60 anos; e Denilson Baniwa desenvolve sua prática artística com base em sua origem indígena e nas referências culturais de seu povo.

Ao apresentar pinturas, feitas uma a uma, com dois elementos que marcam fortemente sua produção – o uso do papel pardo e a referência à cidade do Rio de Janeiro –, Maxwell Alexandre tensiona a ideia de múltiplo (uma obra de arte com uma matriz reproduzindo em série objetos idênticos). Completa o conjunto Marcelo Cidade, que se interessa pelo mesmo questionamento ao apresentar como trabalho uma proposta de colaboração entre ele e o museu, em que o MAM Rio deve usar sua condição de instituição para dialogar com instâncias da segurança pública, na tentativa de retirar de circulação 100 armas de fogo na cidade do Rio de Janeiro.

Ao abrigar um dos mais importantes acervos de arte do país (entre obras próprias e comodatos), com mais de 16 mil obras de importantes artistas brasileiros e internacionais, o MAM Rio tem sua história marcada não só pelo compromisso em preservar a memória das artes, mas também pelo incentivo à experimentação artística, em suas salas de exposição e cinema, centro de documentação, programa educativo, jardins e pilotis nas últimas sete décadas. O Clube de Colecionadores é parte desse compromisso. Acreditamos que colecionar é aprender sobre nossa história, mantendo viva nossa memória com o convívio em âmbito doméstico com obras de arte, além de construir outros caminhos e leituras possíveis, estimulando a produção artística.

Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes
Curadoria

 


Anna Bella Geiger, “Burocracia – O Mundo”, 2019, serigrafia e aquarela sobre papel Avório 250 g/m², 50 x 70 cm
“A sequência das quatro mulheres pronunciando a palavra BU-RO-CRA-CIA surgiu em 1974 como um dos ‘assuntos’ para uma das páginas do meu caderno de artista-cartilha intitulado Sobre a arte. É uma referência a um anúncio dos anos 1930 de um produto de brilhantina em que quatro rostos de mulher pronunciam silabicamente o nome da marca. Nas outras seis páginas do pequeno caderno constam as palavras IDEOLOGIA, AVENTUREIRISMO, e CORRENTES Dependentes/Dominantes, entre outras questões polêmicas na época. Ainda em 1974, passei o desenho da Burocracia para a gravura em metal e para a pintura, mantendo propositadamente certo estilo de cartaz popular em que as palavras não possuem um padrão gráfico de ‘qualidade’. As diversas expressões que surgem nas faces dessas mulheres surpreendem a mim mesma, pois vêm de lembranças de rostos bem antigos – principalmente as mulheres negras e as mulatas que me recordam minhas antigas vizinhas de bairro, no Catete. Em algumas delas surge também um autorretrato de quando eu tinha 25 anos.”

Denilson Baniwa, “Metrô-Pamuri-Mahsã”, 2019, serigrafia em cinco cores sobre papel Hahnemühle 300g/m2, 34 x 34 cm
“No início do mundo havia a grande Cobra-Canoa-da-Transformação e foi ela quem levou embarcados em seu ventre todos os primeiros humanos aos seus lugares onde vivem até hoje. Essa grande serpente que veio do céu em forma de raio e relâmpago chama-se Pamuri Yuhkusiru. Na cidade em meio ao concreto e ferro, transitando diariamente no subterrâneo e com seu ventre abarrotado com diversidade de incontáveis identidades leva os humanos atuais aos seus lugares, a essa grande serpente de metal e olhos de leds dou o nome de Metrô-Pamuri-Mahsã (Cobra-Canoa-da-Gente-Metrôpolitana)”.

Maxwell Alexandre, “Sem título”, série Reprovados, 2019, acrílica e graxa de sapato sobre papel pardo, 120 x 80 cm
“Sabendo que o convite do MAM Rio para participar da 6ª edição do Clube dos Colecionadores seria para um trabalho com tiragem de 100 exemplares, logo me veio à cabeça algo relacionado à série Reprovados (2018), sobre a rede municipal de ensino do Rio de Janeiro. A ideia de múltiplos poderia se referir à quantidade de alunos de uma turma, um pátio, ou ônibus escolar. Eu sabia que para essa ocasião de reprodutibilidade técnica, trabalhar com síntese era um caminho pertinente e até tradicional, mas a chance de afirmar meu glossário com uma única imagem repetida 100 vezes parecia ser uma solução pontual. Então escolhi a camisa da escola pública e como suporte o papel pardo, sínteses das séries Reprovados e Pardo é papel (2018), respectivamente. Motivo e suporte definidos, a decisão mais potente apareceu quando entendi que o trabalho deveria ser pintado. As camisas de escolas servem para uniformizar/padronizar, mas vestem indivíduos. Pintar 100 camisas uma a uma, à mão, era uma maneira honesta de cruzar essas duas premissas.
A única matriz usada no processo foi minha memória, do objeto idealizado ao gesto.”

Daniel Senise, “Sem título (nuvem)”, 2019, impressão com tinta pigmentada e serigrafia em uma cor sobre papel de fibra de algodão Hahnemühle Photo Rag Baryta 315g/m², 58,5 x 58,5 cm
“Quando eu era criança, meu pai, aviador, costumava fotografar suas viagens. Seu acervo de negativos está guardado comigo e uma boa parte dele é de nuvens. O trabalho que propus para o Clube dos Colecionadores usa uma dessas nuvens como elemento central: um momento no céu do Norte ou do Nordeste do Brasil há 60 anos, reenquadrado agora por mim.”

Marcelo Cidade, “Alerta de gatilho”, 2019, impressão à laser sobre papel opaline 120g/m² e linha de algodão em passepartout, 50 x 55 cm
“O que proponho é um trabalho colaborativo entre o museu e eu, resultante em um contrato social, evidenciando essa troca como parte do trabalho. No documento, o museu se compromete a usar sua importância institucional para negociar a retirada de circulação de 100 gatilhos de armas de fogo que foram apreendidas pela polícia carioca. Os gatilhos dessas armas seriam doados (adquiridos) ao museu, e integrariam, junto com o contrato, o múltiplo que os colecionadores vão receber. A chave do trabalho é o fato de que uma arma sem gatilho não funciona, e a intenção da obra vai ser tentar romper com a lógica armamentista com o desmonte literal de 100 armas.”

 

informações

A adesão é feita diretamente no Museu de Arte Moderna de segunda a sexta, das 10h às 17h, durante a ArtRio em nosso estande ou pelo e-mail amigos@mamrio.org.br. O valor desta edição é R$ 5.800 (em uma parcela) ou R$6.100 (em até cinco parcelas de R$1.220). Para a adesão, basta informar o nome completo do colecionador, o endereço de entrega das obras, o telefone de contato, o número do documento de identificação e a forma de pagamento de sua preferência. O valor da adesão equivale à aquisição de um trabalho de cada um dos cinco artistas selecionados para esta edição. Não realizamos a venda em separado. Todas as obras são acompanhadas do Certificado de Autenticidade assinado pelo MAM Rio e pelo artista.

O pagamento pode ser realizado com cartões de crédito ou débito, boleto bancário ou depósito identificado em nome do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Banco Bradesco, Agência 3369, Conta 61388-6 CNPJ 33.467.002.0001-44).

A entrega é feita pelo Museu de Arte Moderna na cidade do Rio de Janeiro. Não realizamos envio para outras cidades. As obras são entregues à medida que são concluídas pelos artistas. Os colecionadores que optarem pelo parcelamento receberão as obras em duas entregas, aqueles que realizarem o pagamento em uma parcela receberão em entrega única. As obras podem ser retiradas diretamente no Museu de Arte Moderna (agendamento pelo e-mail amigos@mamrio.org.br).

Conheça o termo de adesão em Termo de adesão #Clube6

 

EDIÇÕES ANTERIORES

 

CLUBE DE COLECIONADORES 5

Lançada em 2013, a atual edição do Clube apresenta obras em suportes variados. Como nas edições anteriores todas as obras possuem certificado de autenticidade numerado e assinado pelo artista e pelo MAM Rio e são entregues com recomendações de guarda de acordo com o suporte. O valor da adesão desta edição é R$3.900 à vista (ou em 5 x R$860 totalizando R$4.300). Esta edição está esgotada.

Artistas participantes:

Cabelo, “Sem título”, 2013, serigrafia sobre tecido, 45 x 33,8cm

Eduardo Berliner, “Raposa”, 2013, gravura em metal sobre papel Arches Hot pressed 640g/m², 29,5 x 39cm

Eduardo Coimbra, “Situação Espacial 2m”, 2011/2014, pintura automotiva sobre MDF, 30 x 30 x 2,7cm

Raul Mourão, “Seta de rua (para Barros, Bulcão, Colares e Volpi) – Composição 3 por 3”, 2012, impressão por dispersão de pigmento mineral sobre papel Hahnemühle 350g/m² 100% algodão, 42 x 59,4cm

Tatiana Blass, “Noite”, 2013, serigrafia em papel Hahnemühle Passepartout 300g/m², 30 x 40cm

CLUBE DE COLECIONADORES 4

Lançada em 2011, a edição 4 do Clube de Colecionadores teve valor de adesão de R$3.150 à vista (ou em 10 x R$350 totalizando R$3.500), os membros do programa de Amigos possuíram 20% de desconto. Esta edição está esgotada.

Artistas participantes:

Carla Guagliardi, “Mais do que cheia”, 2006, vidro, balão de látex vermelho, ar e tempo, vidro 29 x 13 ø cm, balão inflado 20 x 20 ø cm (aproximadamente), conjunto 49 x 20 x ø cm (aproximadamente)

Carlos Vergara, “Piso de Missões”, 2011, impressão jato de tinta sobre placa de poliestireno de 1,5mm, 38 x 38cm

Cristina Canale, “Maré”, 2011, impressão giclée (ultrachrome k3) em papel edition etching rag canson (100% algodão) 310g/m², com interferências da artista, 50 x 60 cm

Elisa Bracher, “Sem título”, 2011, gravura em metal nas duas faces sobre papel Hannemuller 320g/m², 30 x 90cm

Angelo Venosa, “Siamesas”, 2011, aço inoxidável 304 escovado, 19,4 x 30,1cm

CLUBE DE COLECIONADORES 3

Lançada em 2009, a edição 3 do Clube de Colecionadores teve valor de adesão de R$2.250 à vista (ou em 10 x R$250 totalizando R$2.500), os membros do programa de Amigos possuíram 20% de desconto. Esta edição está esgotada.

Artistas participantes:

Ivan Cardoso, “Uma Vitrine para Man Ray”, Roma, 1997, fotografia, impressão em preto e branco em papel fibra-mate Ilford Multigrade peso duplo, com tratamento de preservação a base de sépia (retocadas manualmente com tinta Spotone), 59,8 x 40cm

José Bechara, “Vazio de Pernas para o Ar”, 2007/2008, serigrafia, papel Quest Black 216g/m², 64 x 82cm

Luiz Alphonsus, “Corte em uma montanha”, 1971/2008, fotografia com impressão digital, papel fotográfico fosco, 60 x 45cm

Paula Trope, “Falo”, 2007/2008, impressão sobre papel (grease print), impressão giclée sobre papel de algodão smooth, 50 x 60cm

Vicente de Mello, “Trombone Cósmico”, série Galáctica, 2000, fotografia, ampliação em preto e branco em papel fibra lustro Ilford Multigrade peso duplo, com tratamento de preservação a base de selênio, retocadas manualmente com tinta Spotone, 57,8 x 37,9cm

CLUBE DE COLECIONADORES 2

Lançada em 2007, a edição 2 do Clube de Colecionadores teve valor de adesão de R$1.800 à vista (ou em 10 x R$200 totalizando R$2.000). Esta edição está esgotada.

Artistas participantes

Caetano de Almeida, “Estava tudo lá”, 2005, poluição sobre tela, 30 x 25cm

José Damasceno, “Promoção”, 2006, hidrocor sobre cartão e grafite, 43 cm x 30cm

Marepe, “Barracão de Feira 2”, 2004, fotografia, 30 x 42cm

Adriana Varejão, “Széchenyi”, 2005, fotografia, 35 x 26,7cm

Artur Barrio, “Lola”, 2004, fotografia, 25 x 38cm

CLUBE DE COLECIONADORES 1

Com o objetivo de incentivar a prática do colecionismo, difundir a arte contemporânea e arrecadar recursos para suas atividades de fomento à arte, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro lançou em 2004 o projeto Colecionadores MAM Rio para aquisição de 5 fotografias assinadas por artistas – promissores ou já consagrados – no mercado de arte. A participação foi limitada a 100 unidades e o valor de aquisição do conjunto foi de R$1.900 (ou 10 parcelas de R$200). O colecionador recebeu ainda um exemplar de cada um dos catálogos publicados para as exposições e o desconto de 50% para adesão conjunta ao programa Amigos do MAM Rio. Esta edição está esgotada.

Artistas participantes:

Vik Muniz, “Coelho Pato”, 2005, fotografia, 47,5 x 60cm

Marcos Chaves, “Sem título”, 2001-2004, fotografia

Brígida Baltar, “Você estava lá”, 1995, fotografia

Rochelle Costi, “Segredo”, 1999/2004, fotografia

Rosângela Rennó, “Cabezas”, 2004, serigrafia sobre filme de poliéster

 

SUGESTÕES DE ARMAZENAMENTO

O cumprimento das instruções de acondicionamento contribuem para a conservação da obra por um longo período: caso deseje manter a obra guardada, faça uma embalagem individual em papel de pH neutro e guarde em superfície plana (não guarde enrolada); evite flutuação brusca de temperatura e umidade (recomendado entre 19 e 24ºC e 45-55% UR) e exposição à luz intensa e por longos períodos, sobretudo de frente para janelas ou em locais onde há incidência da luz solar (condições ideais 50 lux); proteja do pó; manipule o mínimo possível (quando necessário manipule com as mãos limpas, de preferência com uso de luvas de algodão); segure sempre com as duas mãos evitando vincos; não use grampos ou clips; evite uso de colas.


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