31 de agosto de 2020

Bolsas de Pesquisa MAM | CAPACETE

O MAM | CAPACETE abriu uma chamada de 6 bolsas de pesquisa, com duração de 6 meses, a partir de setembro de 2020, para artistas do estado do Rio de Janeiro.  Devido à qualidade dos trabalhos, foi oferecida uma bolsa extra. As residências acontecem online, enquanto durar a quarentena imposta pela pandemia do Covid-19, e depois presencialmente no espaço do museu. O programa é integrado à área artística do MAM. 

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SELECIONADOS POR TEMÁTICA

1. Arquitetura do MAM, urbanismo, paisagismo do Parque do Flamengo

Caio Calafate e Pedro Varella

Caio Calafate e Pedro Varella são fundadores do gru.a (grupo de arquitetos), atelier baseado
no Rio de Janeiro. Desde sua formação em 2013, elaboram projetos e obras de diversas
escalas e naturezas, com especial interesse na interseção entre os campos da arquitetura e
da arte contemporânea. Sua prática é estruturada através da relação entre Pesquisa, Projeto
e Ensino, sempre buscando um estreito contato com as instituições, público e parceiros
envolvidos. Dentre os trabalhos desenvolvidos através do gru.a destacam-se COTA 10
(2015), De ONDE NÃO SE VÊ QUANDO SE ESTÁ (2018), RIPOSATEVI (2018) e A PRAIA
E O TEMPO (2019).

Caio é arquiteto formado pela PUC-Rio (2010) e doutorando no Programa de Pós-Graduação
em Design da Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ. É mestre em Projeto de
Arquitetura pela PUC-Rio (2015). Foi editor da Revista Noz entre 2007 e 2010. Desde 2015
é professor de projeto do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Úrsula.
Pedro é arquiteto formado pela FAU/UFRJ (2011) e mestre na área de teoria, história e crítica
do projeto no PROARQ-UFRJ (2016). Possui formação complementar pela Escola de Artes
Visuais do Parque Lage (EAV) onde estudou entre 2007 e 2010. É co-autor do livro Rio
Metropolitano: guia para uma arquitetura, publicado em 2013. Desde 2015 leciona no Curso
de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Úrsula e desde 2017 no IED-rio (instituto
europeo di design).

Resumo do projeto
Museu, Parque e Chão.
Morros cortados por pedreiras, montanhas desmontadas, aterros de grandes proporções e
lagoas soterradas por debaixo do asfalto são algumas das operações que constituem a
cultura de transformação da natureza empreendida com radicalidade e violência no curso da
expansão urbana do Rio de Janeiro. A construção do MAM-RJ foi viabilizada por uma dessas
obras, consequência dos sucessivos aterros realizados com terras provenientes do desmonte
de morros da região central, oferecendo assim um novo chão para a cidade. Este chão —
cujas potências e latências nos interessa investigar — conforma hoje um imenso sítio
artificial. O chão, por um lado, pode impermeabilizar as relações entre a matéria física que
constitui sua base e o mundo das ideias que está para cima dele. Por outro, tem também o
poder de estabelecer uma política de relação entre esses domínios, um potente dispositivo
de fricção entre a arquitetura e o lugar onde ela está implantada. Das explorações críticas
sobre a arquitetura do MAM-RJ parece que, no que se refere às tensões entre arquitetura e
solo, ainda cabe investigação mais aprofundada. Por isso, pretendemos escavar o campo de
possibilidades que se abre nas lacunas deste chão: simultaneamente museu, parque e
cidade.

2. Arte e pedagogia, educação formal ou informal

Bruna Camargos
Historiadora, educadora e pesquisadora, mestre em História Social da Cultura. Suas
vivências têm dialogado com movimentos sociais e mediação cultural, na interface entre
educação, museu, cidade e território. As principais linhas de pesquisa incluem: História Social
da Cultura, com ênfase em educação e cultura na América Latina; História intelectual; política
cultural; democratização; democracia cultural; processos e práticas pedagógicas decoloniais.

Resumo do Projeto:
A pesquisa tem como objetivo investigar experiências instituintes nas relações entre museus
de arte, territórios e agenciamentos comunitários. Se compreende como experiências
instituintes a instauração de processos que se orientam em aprendizados com os públicos,
colocando em prática um novo modo de fazer e pensar as pedagogias nos e com os museus
e sua função social. A partir da investigação das práticas de programas educativos com os
territórios no qual estão inseridos, entoa-se as seguintes questões: é possível mapear
transformações nos modos de fazer e pensar que escapem ao imperativo disciplinador e
colonizador, presentes nas origens dos campos da educação, cultura e museus? As
experiências com os públicos são capazes de gerar uma revisão epistemológica e reinvenção
metodológica em resposta a ideia de sujeitos precários e precariedade dos públicos
construída pelos próprios museus? Partindo do estudo de casos, experimentações
propositivas e investigações documentais em museus latino-americanos pretende-se discutir
a agência dos públicos na revisão historiográfica, elaboração estética e crítica no e com os
museus.

Érika Lemos Pereira e Gustavo Barreto
Érika Lemos Pereira é mulher cis, preta, de família popular e moradora de Campo Grande. Bacharela em História da Arte pela EBA/UFRJ e licenciada em Artes Visuais pela CEUCLAR. Educadora e pesquisadora. Investiga a interseção entre Artes Visuais, Educação e Trabalho.

Gustavo Barreto é cria de Irajá e Madureira. É licenciado em Artes Visuais – UERJ e mestrando pelo PPGARTES-UERJ. Atua como educador, curador e pesquisador. Seu interesse perpassa as relações entre Arte, Educação, Curadoria e Políticas Públicas Culturais.

Resumo do projeto:
O Programa Educativo do MAM: sua trajetória e sua potência multiplicadora.
A pesquisa tem como objeto a história da Educação no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio). Tem como finalidade investigar a criação e o desenvolvimento do Programa Educativo do MAM enquanto núcleo multiplicador da Arte e Educação, tendo como foco o protagonismo das educadoras que fizeram parte do museu, em diferentes períodos, contextos e gestões, e que possibilitaram inúmeras práticas educativas em diversos lugares. O projeto pretende elaborar uma cronologia do Programa Educativo do MAM, abordando suas principais concepções pedagógicas, bem como identificar e dialogar com as pessoas que cooperaram ao longo do programa.

3. Saberes e causas indígenas

Idjahure Kadiwel
Nasceu em 1990 no Rio de Janeiro (RJ) e pertence aos povos Terena e Kadiwéu (MS). É poeta, editor, tradutor e antropólogo, graduado em Ciências Sociais pela PUC-Rio (2016) e mestre em Antropologia Social pelo PPGAS do Museu Nacional/UFRJ (2020). Em sua dissertação de mestrado retratou a trajetória de vida de seu pai Mac Suara (1962), o primeiro ator indígena no cinema brasileiro, que estreou nas telas em 1985, com “Avaeté: Semente da Vingança”, tendo sido também um dos fundadores do Núcleo de Cultura da União das Nações Indígenas e da Aliança dos Povos da Floresta. Desde 2016 é correspondente da Rádio Yandê, a primeira web rádio indígena no Brasil. É editor da coleção Tembetá (Azougue Editorial/Revistas de Cultura), projeto editorial que teve o objetivo de visibilizar a trajetória e o pensamento de diferentes personalidades do movimento indígena no Brasil, com 9 livros de entrevistas publicados entre 2017 e 2019; e atualmente do catálogo da exposição de artes indígenas Véxoa: Nós sabemos, sob curadoria de Naine Terena, na Pinacoteca de São Paulo.

Resumo do projeto:
O projeto preliminarmente intitulado Perspectivas audiovisuais indígenas em movimento parte de algumas questões que surgiram no processo de pesquisa de minha dissertação de mestrado em Antropologia Social, em meio ao exame do contexto de emergência do movimento indígena e da representação indígena nas telas, no percurso de escrita da história
de vida de um ator Kadiwéu. Naquele processo, percebia como um conjunto de filmes ao final
da década de 1970 e 1980, como Terra dos Índios (Zelito Viana 1978), Raoni (Dutilleux e Saldanha 1978), Conversas no Maranhão (Andrea Tonacci 1983) e Avaeté: Semente da Vingança (Zelito Viana 1985) – todos restaurados em anos recentes – se constituem em documentos que inauguram o testemunho de uma crescente ocupação dos povos indígenas e de suas vozes nas telas, anteriores e até mesmo inspiradores do movimento iniciado com o Vídeo nas Aldeias. As produções audiovisuais, para além da divisão entre fatos e ficções, dão expressão de que os povos indígenas emergem nas telas para tratarem, não do Brasil, mas da defesa de suas terras. Esse estudo propõe esboçar uma breve análise da produção audiovisual indígena contemporânea por meio da análise estética de um conjunto de filmes (a partir de Silva 2020 e de catálogos de festivais a serem pesquisados) e do contexto cultural de suas produções, em um balanço crítico entre a memória, o cinema e os povos indígenas.

4. Arte africana diaspórica

Napê Rocha 
Napê Rocha investiga práticas e poéticas de artistas negres, corporeidades negras e arte
contemporânea a partir das vias prática+teórica e crítica nas artes visuais. A encruzilhada mobiliza seu trabalho orientado pela aspiração de refletir sobre as posições ocupadas por pessoas negras no campo das artes visuais a partir de uma prática anti-racista e anticolonial, bem como de inventariar sabedorias e tecnologias que possibilitem a continuidade das existências negras em meio a diáspora e no terreno da arte. Atualmente é doutoranda em Arte e Cultura Contemporânea (PPGArtes-UERJ).

Resumo do projeto:
Sua proposta pretende produzir apontamentos críticos em torno da produção de narrativas curatoriais nas artes visuais a partir de um mergulho no interior das encruzilhadas. A encruzilhada é entendida como:

1) uma espacialidade produtora de singularidades e vitalidades que induz à criação através de seus trânsitos, encontros, jogos de negociações, dissensos, contradições e da polifonia que lhe é característica;

2) uma lente que ordena a leitura dos elementos simbólicos oriundos das culturas africanas e afro-diaspóricas a partir de seu próprio interior. A pesquisa pretende caminhar em direção às possibilidades coletivas de elaboração de noções sobre o campo da arte, os fazeres artísticos, formas de curadoria, produção de conhecimento e contranarrativas assentadas em sabedorias e práticas ancestrais e anticoloniais mobilizadas como posicionamento ético em relação ao campo das artes visuais.

5. Museu e biodiversidade

Sallisa Rosa 
Natural de Goiânia, atualmente vive no Rio de Janeiro. Atua com a arte como caminho e experiências intuitivas, ficção, identidade e natureza, sua prática circula entre fotografia e vídeo, mas também instalações e obras participativas.

Resumo do projeto:
Passando pela peneira.
Passar pela peneira, ou peneirar, é um fazer culinário mas também uma expressão que de
onde eu venho explica um processo psicológico de apuramento. Passo pela peneira como experimentação artística e proponho: o que muda quando a peneira é outra? Busco estabelecer diálogo entre vivência alimentícia já que o ato de cozinhar é uma ação em essência colaborativa, e que com o processo de colonização essa ação foi deslocada para o plano servil. Desta maneira também posso fazer interlocução com o espaço do museu e com outros
artistas sobre o universo da alimentação e o espaço da cozinha, afinal como é a cozinha do museu, o que tem, como é ocupada e compartilhada, em que situação, quem come o quê?
Quem serve? Quem é servido? A indústria alimentícia tenta minar a culinária do dia-dia, e quanto menos se cozinha mais se perde da tradição da comida, isso também implica em perda de conhecimentos, de saberes, de biodiversidade e do fortalecimento de relações.Considerando que o agronegócio é um grande inimigo, a arte de devorar pode ser uma contranarrativa que nos sustente um pouco mais para lutar.

6. Espaços de arte experimentais e espaços de arte autônomos

Maria Lucas
Artisticamente também conhecida como Ma.Ma. Horn, é uma travesty multiartista carioca. Mestra em Artes da Cena pela ECO-UFRJ e Miss Simpatia, Teatro Rival 2018, busca interseções entre ficção e realidade em sua arte-vida.

Resumo do projeto:
“Trava-Nius, o jornalzim das travestys”
O projeto busca criar um rabisco na construção imagética socialmente alocada nas corpas de travestys e mulheres trans brasileiras. É um jornal atemporal q busca (re)construir narrativas para corpas trans-femininas, revertendo os lugares de poder ocupados por corpos Cis-Centrados. Busca-se borrar Manchetes, construindo manifestações que cerceiem, ou não, o campo da ficcionalidade. 

Suplentes:

1. Carolina Rodrigues (Arte africana diaspórica) 
2. Nathanael Sampaio (Saberes e causas indígenas)

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